Terras no sul do Piauí


Por "Eng. Agrônomo Luiz K. Yamamoto"

No início de Julho de 2010, visitei na companhia do Engenheiro Agrônomo Cyrus Fernando Marinelli, dezenas de propriedades rurais colocadas à venda na região de Corrente, Bom Jesus, Eliseu Martins, Canto do Buriti, São Raimundo Nonato, Uruçui e Floriano. No total de aproximadamente 1 milhão de hectares, a preço entre R$ 200,00 a R$ 700,00 o hectare.

A maioria das áreas visitadas possuíam o projeto da Sudene: Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste e atualmente abandonada a sua própria sorte.

A Sudene foi criada em 1959 idealizada no governo Juscelino Kubitschek com o principal objetivo de encontrar soluções para o desenvolvimento do Nordeste. Atualmente a sua sede está localizada na capital Pernambucana.

Do projeto inicial desenvolvido pela entidade, na região visitada, restou apenas o abandono. As áreas desbravadas para implantação do agronegócio foram retomadas pela vegetação nativa, que confunde-se com a vegetação original de cerrado denso, cerradão, cerrado de transição e mata de caatinga.

Se compararmos com o cerrado do oeste baiano, a vegetação difere em seu desenvolvimento e adensamento. Enquanto no oeste da Bahia tem vegetação arbórea típica de cerrado com os troncos tortuosos e folhas coriáceas, com rendimento lenhoso de 30m³, no Sul do Piauí, são eretas, caules lisos e folhas menores com rendimento lenhoso de 300m³. Nas áreas mais próximas às caatingas, os caprinos se alimentam das folhas pequenas que caem no chão. Estas se depositam no solo ao longo dos anos, com as chuvas a maioria se decompõe enriquecendo o solo de matéria orgânica.

O solo predominante é o latossolo vermelho - amarelo distrófico seguido de argissolo e planissolo. Em diversas amostras colhidas constatamos, após a análise física - química, teores de argila superiores a 20% com 5% de silte.

Na serra da Confusão ou na Chapada Gerais do município de Canto do Buriti e Chapada Gerais, assim classificados pelos técnicos da região. O solo predominante é o mesmo latossolo. A característica geológica de rochas sedimentares do Mesozóico e Paleozóico, em algumas áreas constatamos a presença destas rochas e afloramento de rochas impregnadas com ferro. A cor preta a avermelhada denuncia a presença do metal e a cor amarelada típica com camada fina de silte mostra a intemperização do material original.

O clima pode ser classificado em Aw de Koppen, subúmido com precipitação média anual de 1100 - 1300 mm sobretudo nas Chapadas citadas.

Pertence a Bacia do Parnaíba - Gurguéia.

O Aqüífero subterrâneo Poti - Piauí confere abundância de água no sub-solo. Em algumas áreas constatamos poços artesianos jorrante. A água aflora sob pressão natural não necessitando de bomba de recalque mecânica. Na região de Gilbués conhecida pela exploração de pedras preciosas, existem diversos poços jorrantes de águas termais, a maioria sem nenhuma exploração econômica ou turística, apenas as águas quentes ficam jorrando há anos. São poços cavados pela Sudene ou empresas petrolíferas.

O relevo predominantemente plano principalmente na Chapada com algumas montanhas de Rochas Sedimentares que não chega a 10% da área total.

A altitude média de 400 a 600 m.

Com exceção a áreas localizadas no pé das Chapadas, onde verifica-se uma vegetação e clima de caatinga, nas Chapadas o clima, relevo, solo e precipitação pluviométrica confere uma vocação agropecuária e florestal.

As culturas temporárias como milho, feijão, soja, parece ser propícias. Em termos de pecuária bovina a região é propícia.

A caprinocultura é que predomina atualmente.

Na altitude de 400m, uma empresa multinacional implantou em 2007 o plantio experimental de diversas variedades de Eucalyptus com variação de espaçamento na área de 5000 ha. Como pudemos constatar a floresta artificial esta vigorosa.